“Quanto custa reformar um imóvel de leilão?” é a pergunta que chega primeiro. A que decide vem antes: reformar para quê? O livro Antes do Martelo separa duas estratégias com objetivos opostos, e escolher a errada custa caro nos dois sentidos (livro, cap. 11). Uma compra velocidade de venda. A outra tenta comprar faixa de preço.

Qual a diferença entre reformar para liquidez e reformar para valor?

A reforma básica é pintura, piso laminado, box, armários, fechadura e faxina pesada. Ela sobe pouco o teto de preço do imóvel e sobe muito a velocidade com que ele sai: imóvel apresentável vende em semanas onde imóvel sujo fica meses (livro, cap. 11).

O retrofit é outra obra: hidráulica e elétrica completas, planta reconfigurada, acabamento superior. O objetivo é mudar o imóvel de faixa de preço, e isso só faz sentido quando o mercado local sustenta a faixa de cima. Verificar isso é trabalho de campo, não de planilha (livro, cap. 11).

No leilão, o ponto de partida é a liquidez. A região põe teto no preço: acabamento caro em imóvel popular não sobe a venda na mesma medida do gasto (nota Reforma para Liquidez não para Valor). O que se gasta na obra não volta em dobro na placa de venda só porque foi gasto.

Quanto custa a reforma básica de um imóvel de leilão?

A ordem de grandeza que o livro adota é de R$ 5 mil a R$ 10 mil num apartamento padrão (livro, cap. 11). No lote fictício que o livro calcula do começo ao fim, a reforma básica entra como R$ 10 mil mais 20% de margem: R$ 12 mil na conta (livro, cap. 25).

Para conferir um orçamento, o acervo traz unitários citados por operadores cuja série de vídeos é vitrine de um curso de leilão, numa fonte única: piso laminado, rodapé e pintura por volta de R$ 110 o metro quadrado, material e mão de obra juntos, o que dá cerca de R$ 4 mil num apartamento de 40 m² depois de descontada a área fria; cozinha popular com módulos de loja, balcão e armário aéreo, na casa de R$ 2 mil (nota Reforma para Liquidez não para Valor). Leia como referência para desconfiar de um orçamento muito acima ou muito abaixo, não como preço do seu lote.

Por que a reforma básica vale mais pelo prazo do que pelo preço?

Porque o mês parado também é custo. Cada mês economizado é condomínio, IPTU e, se houver financiamento, parcela que você deixa de pagar (livro, cap. 11). No exemplo do livro, R$ 1.000 de condomínio e R$ 200 de IPTU por mês, durante dez meses, somam R$ 12 mil: mais que uma reforma básica inteira (livro, cap. 12). O artigo Carregamento: o custo de cada mês faz essa conta em detalhe.

Três critérios aparecem no acervo para a obra que acelera a venda (nota Reforma para Liquidez não para Valor):

  • Neutra. Imóvel de investimento não é imóvel de moradia; gosto pessoal afasta comprador, neutro vende.
  • Do padrão do prédio. Reforma popular em imóvel popular, alto padrão em alto padrão. Revestimento acima do padrão da região não volta na venda.
  • Pronta para morar. No imóvel popular, o comprador costuma ter capital curto e quer entrar e morar; o piso já feito desempata contra o vizinho sem piso.

Quando o retrofit faz sentido?

Quando o mercado paga pela faixa nova e você sabe tocar obra grande. O livro registra retrofits em apartamentos de 110 a 170 m² que custaram entre R$ 120 mil e R$ 180 mil (livro, cap. 11). Não é reforma com orçamento maior: é outra operação, com outro prazo e outro risco.

O acervo descreve o cenário em que a estratégia aparece: apartamento antigo e grande, numa região puxada por lançamentos compactos e caros, trazido para a planta atual e vendido para competir com eles. Os mesmos operadores que vendem curso de leilão falam em cerca de seis meses de obra e avisam que a primeira obra grande costuma travar (nota Retrofit como Estratégia de Agregação, fonte única). O comparável, por sua vez, segue a regra do livro: imóvel antigo se compara com antigo reformado, nunca com lançamento (livro, cap. 2).

O que não compensa fazer na obra?

O livro dá referências de calibração, úteis para saber quando um item está pesando demais (livro, cap. 11):

  • Banheiro completo novo: ordem de R$ 25 mil.
  • Lavabo: ordem de R$ 9 mil.
  • Banheira: R$ 8 mil a R$ 10 mil, e a avaliação de quem faz retrofit é que não compensa: agrega custo, não preço nem liquidez.
  • Restauro de taco em apartamento de porte médio: alguns milhares de reais.

A lógica por trás da última linha vale para a obra inteira: restaurar antes de trocar. Taco restaurado, janela recuperada e revestimento aproveitado custam uma fração da troca (nota Retrofit como Estratégia de Agregação).

Quanto separar de margem para a reforma?

Estime para cima. Obra atrasa e encarece; é o comportamento normal dela. A regra do livro é uma margem de 20% sobre a estimativa (livro, cap. 11). Nos três cenários, a margem entra no base e no adverso; só o otimista usa o orçamento puro (livro, cap. 22). O modelo de custos do Teto do Lance aplica a mesma margem e mostra os dois números, o orçado e o com margem.

Há um limite do outro lado. Reforma é uma das frentes em que se compete por um lote, junto com o mercado local, a ocupação e a dívida real (livro, cap. 20; nota Três Variáveis que Definem a Arrematação). Quem chuta a obra alto “por segurança” dá lance menor e sai do leilão (nota Reforma para Liquidez não para Valor). A margem de 20% vai sobre um orçamento de verdade, não sobre um chute pessimista.

Para chegar a esse orçamento, o estado do imóvel importa. Os mesmos operadores que vendem curso dizem que o imóvel ocupado tende a estar habitável, e que o desocupado há anos é o que traz surpresa em vedação e fiação (nota Reforma para Liquidez não para Valor). É relato, não estatística.

Por que guardar nota fiscal de cada gasto?

Por dinheiro, em dois lugares. Reforma com nota fiscal soma ao custo de aquisição e reduz a base do imposto na venda; sem nota, não reduz (livro, cap. 15; nota Dedução de Custos no Ganho de Capital). No lote fictício do livro, os R$ 12 mil com nota deixam o imposto em R$ 19.050; sem nota, seriam R$ 20.850 (livro, cap. 25). São R$ 1.800, os 15% da alíquota sobre a reforma (conta nossa sobre o exemplo do livro).

O segundo lugar é a anulação. Nos editais da Caixa, a cláusula de evicção pode devolver, quando o edital prevê, as benfeitorias úteis e necessárias, ou seja, a reforma. A condição é a mesma: comprovação por nota fiscal (livro, cap. 18).

Onde isso entra na conta

A reforma é um campo da viabilidade, e é um dos poucos em que o seu levantamento vale mais que o do concorrente. O livro Antes do Martelo separa as duas estratégias no capítulo 11, põe a margem nos cenários do capítulo 22 e mostra a reforma com margem e com nota no lote calculado do capítulo 25. Conheça o livro ou veja o que a calculadora faz.

O que este artigo não sabe

  • Quanto a reforma estoura além dos 20%. O livro declara essa lacuna: se a sua obra é maior que uma reforma básica, o cenário adverso precisa de um número seu (livro, cap. 29).
  • Não há tabela pública de custo de reforma por região. Os unitários por metro quadrado vêm de uma única fonte do acervo, operadores que vendem curso de leilão.
  • Quanto a reforma básica encurta a venda, em meses. “Semanas em vez de meses” é observação do livro, não medição com base de dados.
  • Como precificar o risco de obra no retrofit segue pergunta aberta no acervo (nota Retrofit como Estratégia de Agregação).
  • Os números do lote são fictícios, do caso do livro. Os do seu lote vêm do orçamento de quem vai executar a obra.
  • Este artigo não é orientação técnica de engenharia, jurídica nem tributária. Antes do lance, leia o edital e a matrícula do lote.